Smart City Expo 2025: como formar líderes digitais e atrair talentos para cidades inteligentes

A transformação smart começa no nível das decisões.

Sem líderes capazes de ler dados, entender o potencial e os limites da IA e conduzir times multidisciplinares, projetos de cidades inteligentes tendem a escalar devagar, custar caro e morrer depois dos pilotos.

Em 2025, a mensagem de Barcelona foi clara: educação digital contínua não é um complemento. Pelo contrário, ela funciona como a infraestrutura humana que sustenta IA, transição energética, serviços centrados no cidadão e inovação urbana.

Nesse contexto, a participação da Tekne School Learning no Smart City Expo World Congress 2025, realizado no ecossistema da Fira Barcelona – Gran Via, reforçou uma ideia central: cidades inteligentes não se constroem apenas com sensores, aplicativos e dashboards. Elas exigem líderes preparados para decidir melhor, formar talentos e transformar dados em valor público.

Além disso, o evento dialoga com agendas complementares, como Tomorrow.Mobility, Tomorrow.Building e Tomorrow.Blue Economy. Por isso, a discussão sobre formação de lideranças precisa ir além da tecnologia e incluir governança, ética, segurança, capacidade de execução e atração de talentos.

Competências essenciais para quem decide

Para cidades inteligentes avançarem, decisores precisam combinar visão estratégica e letramento técnico. Não é necessário que todo gestor se torne especialista em código, modelos ou arquitetura de dados. No entanto, é fundamental que ele saiba fazer boas perguntas, interpretar evidências e identificar riscos antes de escalar uma solução.

Letramento em dados

Em primeiro lugar, líderes precisam diferenciar métrica de KPI, interpretar incerteza, detectar vieses e pedir evidências reprodutíveis.

Na prática, isso significa não aceitar dashboards como verdades absolutas. Cada indicador precisa ter origem clara, definição consistente e relação direta com uma decisão pública ou operacional.

IA como infraestrutura

Além disso, a IA deve ser tratada como infraestrutura de decisão, não apenas como ferramenta experimental.

Isso envolve saber quando usar copilotos, RAG, automação ou sistemas de triagem. Ao mesmo tempo, o líder precisa reconhecer quando uma decisão exige revisão humana, governança, auditoria e critérios explícitos de risco.

Design de serviços públicos

Outro ponto essencial é o design de serviços públicos. Cidades inteligentes precisam olhar para jornada do usuário, tempo de espera, satisfação, custo por transação e acessibilidade.

Dessa forma, a tecnologia deixa de ser um fim em si mesma e passa a melhorar a experiência real de cidadãos, servidores e empresas.

Gestão por portfólio

Também é necessário priorizar iniciativas em ciclos curtos. Sprints de 60 a 90 dias ajudam a testar hipóteses, medir valor e encerrar o que não gera impacto.

Como resultado, a cidade evita acumular pilotos desconectados e passa a construir um portfólio de projetos com métricas, responsáveis e critérios de continuidade.

Ética e segurança

Por fim, privacidade por design, avaliação de risco, trilhas de auditoria e segurança da informação precisam estar presentes desde o início.

No contexto do SCEWC, essas competências dialogam diretamente com temas como Enabling Technologies, urbanismo digital, mobilidade inteligente, sustentabilidade e serviços centrados no cidadão.

Da inspiração à prática: um modelo de formação em 60–90 dias

Os bastidores do SCEWC mostram que cidades e empresas que aceleram transformação digital não dependem apenas de grandes planos plurianuais. Em muitos casos, o avanço começa com trilhas curtas, dados reais e entregas a cada sprint.

Por isso, um modelo de formação em 60 a 90 dias pode funcionar como ponte entre inspiração e execução. A seguir, a proposta se organiza em três camadas.

Camada 1: fundamentos comuns

Nas primeiras duas ou três semanas, o foco deve ser criar uma linguagem comum entre líderes, áreas técnicas e equipes operacionais.

Essa base pode incluir data literacy para líderes, leitura crítica de gráficos, limites dos dados, perguntas de negócio e noções de IA responsável. Além disso, vale trabalhar gestão por métricas, conectando tempo, custo, satisfação e qualidade.

Nesse momento, programas executivos de Alfabetização de Dados e IA responsável ajudam a reduzir ruído entre áreas e acelerar decisões.

Camada 2: laboratórios aplicados

Depois da base comum, a formação deve avançar para laboratórios aplicados de quatro a seis semanas.

Nessa etapa, times podem trabalhar com casos como atendimento ao cidadão com IA, backoffice inteligente, gestão documental, classificação de demandas, busca confiável e operações urbanas orientadas por dados.

Além disso, laboratórios com dados reais aumentam o senso de utilidade. Em vez de aprender IA de forma abstrata, os participantes conectam tecnologia a problemas concretos, como tempo de resposta, rastreabilidade, eficiência energética, mobilidade ou gestão de resíduos.

Ecossistemas como Cibernàrium 22@/MediaTIC e DFactory Barcelona ajudam a ilustrar esse tipo de conexão entre formação, tecnologia e prototipagem.

Camada 3: governança e escala

Por fim, a terceira camada deve consolidar governança, auditoria e critérios de escala.

Aqui entram política mínima de IA, definição de papéis, revisão humana, guarda de prompts e fontes, run books, comparação entre versões e indicadores semanais de acompanhamento.

Como entrega final, o grupo deve apresentar um portfólio de projetos com antes e depois, métricas, lições aprendidas e próximos passos. Além disso, a apresentação executiva deve se conectar aos OKRs da secretaria, empresa ou organização envolvida.

Dessa forma, a formação deixa de ser apenas um curso e passa a gerar evidências para orçamento, parcerias e expansão.

Talento como vantagem competitiva: como atrair, formar e reter

Cidades inteligentes são ecossistemas de talentos conectados.

Nesse sentido, Barcelona oferece um bom exemplo de densidade institucional. O circuito formado por 22@/MediaTIC, DFactory, AMB, ACCIÓ – Catalonia Trade & Investment e Port de Barcelona mostra como formação, inovação, governo, indústria e infraestrutura podem se articular em torno de uma agenda comum.

Por isso, atrair talentos não depende apenas de divulgar vagas. Também é preciso criar escadas de competência, projetos com propósito e oportunidades reais de aplicação.

Cinco movimentos práticos para atrair talentos

O primeiro movimento é criar portas de entrada claras. Trilhas de 4 a 12 semanas, com dados reais da cidade ou da empresa, ajudam profissionais em formação a entender problemas concretos e construir portfólio.

Em seguida, projetos com propósito devem ganhar prioridade. Atendimento ao cidadão, mobilidade, energia, resíduos, compliance e gestão documental geram cases fortes porque conectam tecnologia a impacto público.

Além disso, parcerias com hubs ampliam repertório e acesso a especialistas. Laboratórios abertos, mentorias e desafios temáticos trimestrais ajudam a aproximar governo, empresas, startups e instituições de ensino.

Outro movimento importante é organizar um currículo modular. Trilhas como Fundamentos de IA → Python → Data Analytics → BI & IA → ML & IA permitem que talentos avancem do básico ao aplicado, sempre com rubricas de qualidade e apresentação executiva.

Por fim, contratos de desempenho podem vincular bolsas, estágios e contratações a entregas em 60 a 90 dias. Assim, a seleção passa a considerar evidências de execução, não apenas currículo.

Onde começar: casos de alto impacto nos próximos 90 dias

Para começar com foco, escolha problemas que tenham dados disponíveis, dor clara e impacto mensurável.

Atendimento ao cidadão com IA

Um bom primeiro caso é o atendimento ao cidadão com IA. Nesse cenário, uma base de conhecimento organizada pode melhorar consistência das respostas, reduzir tempo de atendimento e gerar métricas de satisfação.

No entanto, a revisão humana deve continuar presente, especialmente quando a resposta envolve direitos, benefícios, prazos legais ou informações sensíveis.

Gestão documental e compliance

Outro caso de alto impacto é a gestão documental. Sumarização, classificação e busca inteligente podem reduzir tempo de pesquisa, melhorar rastreabilidade e diminuir erros.

Ainda assim, documentos críticos exigem validação, versionamento e controle de acesso.

Operações e inspeções

Em operações urbanas, IA e dados podem apoiar roteiros de fiscalização, leitura de sensores e triagem de ocorrências.

Nesse caso, o ganho aparece quando a tecnologia ajuda equipes a priorizar melhor o trabalho, e não quando adiciona mais uma camada de complexidade operacional.

Energia e resíduos

Por fim, energia e resíduos podem se beneficiar de dashboards de eficiência, metas ESG e contratos de desempenho integrados.

Como resultado, a cidade consegue conectar sustentabilidade a indicadores operacionais, financeiros e ambientais.

Riscos reais e como mitigá-los desde o dia 1

Projetos de IA em cidades inteligentes precisam começar com ambição, mas também com prudência.

Em primeiro lugar, privacidade e dados sensíveis exigem anonimização, segregação de ambientes, controle de acesso e registro de uso.

Além disso, alucinação e baixa qualidade devem ser tratadas com revisão humana obrigatória, prompts versionados e checklist de factualidade, atualidade e viés.

Também é importante reduzir dependência de fornecedor. Para isso, acompanhe métricas comparáveis de qualidade, latência e custo, além de prever cláusulas de saída em contratos estratégicos.

Por fim, comece com uma política mínima de uso de IA, segurança da informação e avaliação de risco/impacto. Esse cuidado evita que pilotos promissores se tornem passivos operacionais ou reputacionais.

O que Barcelona ensinou sobre ecossistemas (e dá para replicar)

Barcelona reforça uma lição simples: cidades inteligentes dependem de ecossistemas, não apenas de projetos isolados.

O 22@/MediaTIC mostra como cidade, formação técnica e inovação podem se aproximar. A presença do Cibernàrium no MediaTIC reforça a ideia de capacitação digital como parte da infraestrutura urbana.

Já o DFactory Barcelona ilustra a força de hubs orientados a tecnologia, indústria 4.0, colaboração e prototipagem. Nesse modelo, empresas, centros de inovação e laboratórios compartilham espaço, conhecimento e oportunidades.

A AMB, por outro lado, mostra a importância da coordenação metropolitana para escalar políticas públicas em áreas como mobilidade, resíduos, habitação, clima e serviços urbanos.

Enquanto isso, o Port de Barcelona conecta infraestrutura, logística, inovação e sustentabilidade. A agenda de Smart Ports reforça a relação entre portos, cidades e transição digital.

Dessa forma, o aprendizado replicável não é copiar Barcelona literalmente. O ponto é criar mecanismos locais de articulação entre governo, educação, empresas, hubs, infraestrutura e talentos.

Plano de 4 passos para líderes: da segunda-feira ao orçamento

Para transformar inspiração em execução, líderes podem começar com quatro passos simples.

Primeiro, escolha três problemas de alto impacto e defina métricas objetivas, como tempo, custo, satisfação, qualidade ou risco.

Depois, monte um comitê intersetorial orientado a dados. Esse grupo deve reunir negócio, tecnologia, jurídico, compliance, operação e atendimento para decidir prioridades e remover travas.

Em seguida, inicie um cohort de seis a oito semanas com times mistos, dados reais e entregas quinzenais. Assim, o aprendizado já nasce conectado a problemas concretos.

Por fim, apresente um portfólio com antes e depois, métricas, riscos, lições e próximos passos. A partir daí, o pedido de orçamento deixa de depender apenas de intenção e passa a se apoiar em evidências.

Como a Tekne se conecta a essa agenda

Segundo Led Fernandes, CEO e founder da Tekne School Learning:

“Como somos uma edtech internacional sediada em Barcelona, entendemos que cidades inteligentes só se tornam realidade quando existe formação contínua e alfabetização digital acessível para gestores, empresas e cidadãos. Na Tekne, vemos a IA não apenas como tecnologia, mas como infraestrutura humana. Ela potencializa decisões mais rápidas, políticas públicas baseadas em dados e serviços que realmente atendem às pessoas. Participar da Smart City Expo reforça nosso compromisso de capacitar líderes e desenvolver talentos capazes de transformar dados, IA e inovação em valor público concreto, com ética, impacto e foco no que realmente importa: melhorar a vida nas cidades.”

Nesse contexto, a Tekne estrutura programas executivos para líderes, com foco em data literacy, IA responsável, governança e tomada de decisão baseada em evidências.

Além disso, as trilhas de formação de talentos — Fundamentos de IA → Python → Data Analytics → BI & IA → ML & IA — culminam em projetos reais avaliados por rubricas. Como resultado, governos e empresas conseguem contratar por evidência e escalar iniciativas com mais previsibilidade.

Conclusão

Cidades inteligentes não se fazem apenas com sensores, apps e painéis. Elas nascem de lideranças educadas tecnologicamente e de talentos que encontram propósito, método e caminho de crescimento.

Em 2025, com IA, transição energética e serviços centrados no cidadão no centro da agenda, a pergunta principal não é apenas “qual tecnologia usar?”. A questão mais importante é: como formar pessoas para decidir melhor, entregar valor público e aprender continuamente?

No fim, tecnologia importa. No entanto, sem liderança, formação e governança, ela dificilmente se transforma em impacto mensurável para a cidade.

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